Os 26 países do bloco divulgaram uma declaração conjunta sobre a intervenção dos EUA no país. O secretário-geral do Conselho da Europa, Alain Berset, alertou ainda que o caso levanta "graves questões do ponto de vista do direito internacional"
Por Redação g1
Os países membros da União Europeia divulgaram, neste domingo (4), uma declaração conjunta defendendo uma transição pacífica para a democracia liderada pelos venezuelanos. O comunicado só não foi apoiado pela Hungria.
"Respeitar a vontade do povo venezuelano continua a ser a única forma de a Venezuela restaurar a democracia e resolver a crise atual”, acrescentou o comunicado. O grupo também reafirmou que Nicolás Maduro “não possui a legitimidade de um presidente democraticamente eleito”.
O bloco pede “calma e moderação por todas as partes” e reforça que os princípios do direito internacional e da Carta da ONU devem ser respeitados, apontou a agência de notícias Reuters.
“Mantemos contato próximo com os Estados Unidos, assim como com parceiros regionais e internacionais, para apoiar e facilitar o diálogo com todas as partes envolvidas”, afirmou a UE.
O secretário-geral do Conselho da Europa, Alain Berset, alertou ainda que o caso levanta "graves questões do ponto de vista do direito internacional", segundo a agência de notícias France Press."Como organização regional multilateral dedicada à democracia, aos direitos humanos e ao Estado de direito, o Conselho da Europa considera que, todo recurso à força no território de outro Estado suscita graves questões à luz do direito internacional, em particular, dos princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas sobre a soberania, a integridade territorial e não ingerência", disse em um comunicado.
Após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelas forças americanas, Berset alertou para o risco de "agravamento da polarização na Venezuela, em toda a região e em escala mundial, entre aqueles que condenam uma grave violação do direito internacional e os que consideram justificada".
"Quer se trate de mudança de regime ou de influência estrangeira, com muita frequência aplica-se um duplo critério, ditado por interesses estratégicos ou afinidades ideológicas, em vez de por princípios jurídicos partilhados e coerentes", escreveu Berset.
"O direito internacional é universal ou não faz sentido. Um mundo regido por exceções, por dois pesos e duas medidas, ou por esferas de influências rivais é um mundo mais perigoso", insistiu. O presidente americano, Donald Trump, anunciou, no sábado (3), que os Estados Unidos têm a intenção de "conduzir" a transição na Venezuela, enquanto o secretário-geral do Conselho da Europa apelou para uma transição "pacífica, democrática e respeitosa da vontade do povo venezuelano".


NIcolas Maduro chega aos EUA. Foto Reprodução Casa Branca





